Eu sou publicitário. De desenhista a Diretor de Arte, a Diretor de Criação, a Diretor de Filmes Publicitários. Consagrei-me por ter criado por mais de duas décadas para a C&A, onde, notadamente, destaca-se a criação do personagem Sebastian. Sim, eu criei o personagem em 1989. Putz, tanta coisa rolou depois...
sábado, 25 de junho de 2011
Petês, um idioma criado a partir do dialeto Cegetês
Oficialmente, o Petês foi reconhecido como idioma em 10 de fevereiro de 1980. No Brasil, mais precisamente no “ABCD” paulista, em meados de 1962, durante o IV Congresso Sindical Nacional dos Trabalhadores, nota-se, pelo linguajar dos participantes, a prática de um dialeto batizado de Cegetês. No começo, o governo militar que tomou posse do país em 1964 ficou preocupado com a prática desse dialeto, pois, poderia ser uma linguagem cifrada para articular a oposição ao regime ditatorial que se desenhava, mas, em pouco tempo percebeu que não passava de mera falta de domínio e interesse pela língua-pátria. Além do não interesse pelo correto entendimento da língua-pátria, notava-se também, pelo discurso dos que usavam o dialeto Cegetês, o não interesse pela labuta, pelo trabalho diário e percebia-se que suas reuniões giravam em torno de assuntos ligados à elaboração de estratégias para garantir, aos seus praticantes, uma forma de obter remuneração às custas da labuta de outrem, que, aliciado com base numa filosofia de “justiça social”, pagava os tributos para incorporar o “seleto grupo”.
Não demorou muito para praticantes de dialetos com filosofia similares, como o Pecebês, somarem-se na unificação dos dialetos para o idioma Petês.
Além destes, grupos de auto-intitulados intelectuais, liderados por meia-dúzia de jovens de famílias abastadas da Bahia, que integravam um novo grupo musical, viram aí uma excelente oportunidade de marketing para se promover e passaram, também, a praticar e difundir o idioma Petês.
O regime militar foi instaurado em 1964 e por mais de 15 anos o Petês não obteve o status de idioma nacionalmente reconhecido. É lógico entender o porquê: estabelecer um novo idioma exige muito trabalho. A despeito, muitos dos idealizadores preferiram ir morar no exterior, com as despesas pagas pelos seus familiares abastados ou pela mora paga pelos correligionários aliciados, ao que chamavam de “exílio” e este termo foi incorporado ao idioma e nada se assemelha ao seu fiel significado na língua-pátria.
No começo da década de 80, aproveitando o desgaste da ditadura militar, ocorrido por conta do trabalho árduo de diplomados intelectuais e profissionais de alto-nível que somaram-se no combate à ditadura, um ex-trabalhador, um torneiro mecânico que havia se acidentado no exercício do trabalho e por conta disso recebia seus emolumentos por conta do seguro social, ainda que não incapacitado para o exercício laboral, foi escolhido para ser o ícone da oficialização do idioma Petês, adormecido há quase duas décadas.
Ocorre que o ícone extrapolou a mera condição iconográfica ao status de liderança, ainda que sem perder a real condição de fantoche e seu carisma e analfabetismo foi de imensa contribuição na criação e prática de novos termos que consolidariam e enriqueceriam (sic) o idioma que é, hoje, praticado pela grande maioria da população brasileira alienada.
Termos como “cumpanheru”, que traduzido para o português significa “comparsa”; “menas” = “menos”, só que usado em palavras que terminam com “a”; “trabalhadô” usado no sentido antagônico a “trabalhador”; “sabe” usado no lugar e ao invés da vírgula; inúmeros termos de baixo calão, sintetizados ou pronunciados com maneirismos; e a completa abolição do “s” em palavras no tempo plural, são exemplos e expoentes da contribuição desse ex-trabalhador ao idioma Petês.
Verbos transitivos diretos, como “dircear”; “genoinar”; “pereirar”; “delubiar”; “palocciar”; “mercadantear”; também são obras da imensa contribuição desse ex-trabalhador ao idioma Petês e todos estes verbos, guardadas as devidas variações de aplicabilidade, em síntese, têm o seu significado mais amplo, na língua-pátria, ao verbo “roubar”, só que em situações onde o roubo acontece a partir de um elaborado plano. Para um plano assim, bem elaborado, ainda que escuso, mas disfarçado de legal, o Petês tem, também, uma terminologia própria: “mensalão”. Os beneficiados com os lucros dessas operações recebem o título, em Petês, de “sanguessugas”.
Em episódio recente, o ex-trabalhador, num ímpeto de criatividade, teve a idéia de mais um verbo: “dilmar”. “Dilmar” significa, em Petês, enaltecer o papel da mulher na sociedade moderna, alçando-a a altos postos de comando, mas, não de fato e sim de maneira hipócrita, demagoga.
O ex-trabalhador também criou o adjetivo que qualifica a personagem: “dilma do chefe”.
A partir de 1º de janeiro de 2009 passou a vigorar no Brasil e em todos os países da CLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa o período de transição para as novas regras ortográficas, que finaliza em 31 de dezembro de 2012.
No entanto, sabemos que, no Brasil, por opção da maioria da população, desse povo alegre e gentil, continuar-se a usar o Petês, a despeito do Tratado da CLP, afinal, o Brasil é diferente, independente, exótico, irreverente. “Esse Brasil lindo e trigueiro... Terra de samba e pandeiro”.
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